a gente precisa enfrentar
a dor de dar errado
muito antes da tentativa.
(Fonte: textoscrueisdemais, via outubro-de-2010)
a gente precisa enfrentar
a dor de dar errado
muito antes da tentativa.
(Fonte: textoscrueisdemais, via outubro-de-2010)
eu preciso lidar com algo que me incomoda antes que esse ano acabe. eu preciso olhar pra mim e dizer que isso arruína minha autoestima e me deixa mal e triste diariamente porque assim como todo mundo, eu tenho medo de ficar sozinha.
eu tenho medo de ficar sozinha e do outro lado do ringue eu me vejo como alguém por quem ninguém nunca vai se apaixonar
alguém por quem você não vai enfrentar suas questões pessoais pra ficar junto, alguém em quem você não vai depositar a fé de que tudo tem um jeito
eu não me vejo como alguém que uma pessoa espera durante anos, mesmo entrando em novos relacionamentos, e depois se vê apaixonado como da primeira vez
fazendo planos, acreditando que obstáculos podem ser vencidos. querendo provas, fazendo pedidos internos: que dê certo, que dê certo
eu não acredito que vou estar do outro lado dessa história porque em 24 anos, eu nunca estive
porque em 24 anos ninguém me disse mesmo sabendo que a-vida-não-funciona-assim que ficaria para sempre ao meu lado, porque ninguém quis
porque todas as minhas histórias acabaram como um carro que para por falta de gasolina numa estrada e eu tenho que lidar com essa série de fins doloridos, custosos, sem sentido ou razão maior do que: não ia dar mesmo certo, não era pra gente ficar junto, não seria honesto
porque não é mesmo honesto continuar ao lado de alguém por quem sua existência não vibra, porque não é honesto estar ao lado de alguém que não é seu lugar seguro fora da sua mente
e eu nunca fui. eu nunca fui isso pra ninguém e, se fui, foi só até perceber que amava a projeção que fez de mim e não eu
que teria que lidar com meus momentos de vácuo mental, de tédio, de erro
e eu tendo que lidar com a tortura quase que diária do medo de cometer qualquer deslize, de dizer qualquer coisa que faça essa pessoa sumir de novo
porque, meu deus, é tão difícil.
é tão difícil não ser um padrão, é tão difícil não ser um sonho
é tão difícil ter que me olhar no espelho e lidar com o fato de que ninguém, naturalmente, vai sonhar encontrar uma pessoa como eu
e as pessoas vão dizer o quão maravilhosa eu sou e incrível e qualquer coisa na vã tentativa de me fazer sentir melhor com isso, mas eis uma verdade: nada faz.
porque não há como controlar esse tipo de coisa e elogios aleatórios não mudam nada sobre o que aconteceu ou o que irá
e mesmo que eu mude a minha imagem, mude a forma que eu falo, que eu sinto, o lugar em que moro, as pessoas que conheço, a forma que ajo
ainda serei eu, essencialmente eu e é isso.
eu amo meus amigos e sei o quanto eles me amam e não duvido disso. eu me sinto amável, mas apaixonante não.
e eu entendo quanta mentira e quanta mágoa e quão utópicas são as relações românticas e o quanto isso não é a chave da minha felicidade, mas eu não posso desejar?
eu não tenho o direito de querer ser a mania de alguém?
e eu tô cansada de fingir que não ligo pra isso e de me repetir que estou sendo estúpida por pensar nisso.
eu não paro de analisar minha vida, minha história, meus últimos relacionamentos
e de me destruir nessa ideia
cansada de lembrar que a última vez que alguém desejou que eu fosse sua mulher para sempre foi há dez anos, no banco de um shopping, quando éramos crianças ainda.
eu tô cansada de acreditar nisso
e eu sei que nada me fará desacreditar
e isso é tão triste, tão tristeyasmin
(via ser-saudade)
de você, eu carrego as mãos
sempre frescas
quase molhadas, como quando
acabou-se de lavar as vasilhas da pia
e há quele cheiro
quase
acabado
de alho.
me olho no espelho e te vejo
questionadora, incomodada
forte.
de você, eu carrego o conhecimento
de Djavan a Nietzsche
foi você quem me mostrou e
quando hoje escolho uma música,
tem seu dedo ali
como aquela lembrança quase intacta do dia que eu estava indo pra aula e do rádio com chiado você me ensinava
a ouvir.
de você eu carrego o amor pelas tardes com
novelas, pães mornos
e o café sempre fresco.
depois de quase dois anos sem te ver
sem te ouvir, sem te ler
hoje me assustei quando lembrei que você não volta
mais.
de você sempre vou carregar
essa vontade de ir além, mesmo
que
você tenha deixado-a dormir por
longos anos
até que você foi.
frances é tudo que não pareço ser
lembro de você me falando, como se fosse ontem, que seu sonho era ter uma máquina de fazer algodão doce.
depois de tanto tempo, quando vejo alguém de cabelos avermelhados e cheios, como um algodão tingido, me lembro de você e me pergunto se um dia você voltaria como quem nunca partiu.
hoje não me reconheço naquela menina sem medos e cheias de certeza que você conhecia e que esqueceu.
revendo aquele filme, percebi que sou tudo que nunca assumi pra mim. desengonçada e grande, desequilibrada e sem saber o que fazer com a vida.
você nunca me viu assim. nem quando discustíamos sobre deus e a vida.
tenho saudade da sua fé, do seu anel de prata escrito JESUS e das suas comidas lentas.
ainda não te compreendo e te amo, mesmo distante.
quando te encontrar vou te amar como se você nunca tivesse partido.